O vento que venta daqui é o mesmo que venta de lá? Não, eu sou controvento, ventania de esparramar, até virar brisa, desabotoar a camisa, para o sangue ventilar. Liquificar sem ar controvento suado, prá na liberdade do vento tocar, no sino, um dobrado e ventando poder voar, soando um verso molhado...
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terça-feira, 24 de março de 2026
olhar de ver ou visão de olhar ?
poesia molhada
segunda-feira, 23 de março de 2026
Interdito
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
rimas negras
Rimas negras
A vida toda entoada,
sofrendo repreensão,
estando certa ou errada
sentindo-me na contramão.
Sempre fui considerada
abusada, perdida em vão,
negra, renegada, negrada
sem freio, ou sem direção.
Orgulho-me da empreitada
empretada na branquidão.
Sou preta, forte e ousada
grito-me sem rouquidão.
Ancestralidade apurada,
cultura sem rendição,
pele da noite enluarada
sou americafricanização.
Subo ao púlpito poetizada
contra a discriminação.
Insolência ensolarada,
em palavras e ação.
Rasgo atemporalizada
correntes quebradas ao chão
refaço a caminhada
livre das marcas da opressão.
Sou as mulheres negras exaltadas,
guerreiras por condição,
aqui nesta noite, versadas
opostas a qualquer submissão